sexta-feira, 3 de abril de 2009

Drogas e literatura crítica

. sexta-feira, 3 de abril de 2009

Por: (Érick) Delemon

Olá pessoal, hoje achei que não podia escapar de uma vontade que me segue há um tempo: falar de Aldous Huxley. Desejo um dia fazer um post sobre seu legado. Mas enquanto isso, falo de somente dois ensaios fundamentais desse autor tantas vezes equiparado e comparado a George Orwell abordado ontem mesmo pelo colega Pedro. Falo de "As Portas da Percepção" e "Céu e Inferno"

Aldous Huxley's 'The Doors of Perception' and 'Heaven and Hell'

O culto autor de "Admirável Mundo Novo" traz nesses dois ensaios suas experiências com drogas. E por isso o chamo de crítico, pois mesmo não sendo científico, nem mesmo lírico, é literário e descreve suas experiências e até resultados de alguns estudos que realizou. Não é portanto o que hoje se entenderia por "crítico de drogas". Ao contrário, Huxley dá sua versão, e ponto final. O que pode ser perigoso num momento em que o clima de renegação das drogas é tão presente.

Em As Portas da Percepção (1954), ele descreve realmente como foi o experimento, em 1953 de tomar mescalina, um alcalóide extraído de um cacto mexicano (peiote). Chega a ser engraçado a maneira como ele toma o remédio, e começa a sentir as implicações mentais que são descritas pela própria cobaia.

Peiote: alucinógeno conhecido dos indígenas mexicanos

Experimentar super sensibilidade dos cinco sentidos, "viajar na maionese" ao ver "um quadro menos conhecido e não muito bom" de Boticelli! Traz ao leitor algo muito interessante, e nisso julgo o livro "perigoso" para a moral de hoje: é tentador experimentar o peiote e enxergar o mundo sem a mente semi-cerrada! E nisso Aldous é bem filosófico, criando uma 'teoria' (se assim podemos chamar) de que a percepção nunca absorve na realidade os reais estímulos visuais, táteis e sonoros das coisas: para a própria proteção do indivíduo, que de outra forma se distrairia com a enxurrada de estímulos desnecessários para a sobrevivência; afirmando assim que em estado normal, temos a percepção semi-cerrada.

Judite de Sandro Boticelli
Púrpura seda e movimento da saia embeveceu Huxley

Já em Céu e Inferno (1956) o autor faz uma continuação das análises sobre os efeitos das drogas, tentado mostrar outras formas em que se pode ter experiências alucinógenas, de jejum e autoflagelação, passando pela luz estroboscópica até falta de vitaminas e oxigenação no sangue. O título é justamente pra mostrar os dois lados das experiências narcóticas. Mesmo que não versando teorias sobre a epistemologia como fez no ensaio anterior, esse tem um tom ainda mais filosófico por analisar a relação entre brilho, objetos brilhantes, desenhos geométricos, arte e psíque.

A parte Pop do assunto: A banda The Doors, deve seu nome estritamente ao ensaio "The Doors of Perception", o porquê não é difícil de imaginar: a relação com drogas, a sensibilidade extrema de certas sensações parecem estar impregnadas nas músicas de Morrison! Depois dessa associação e o próprio tema dos ensaios fez de Huxley (que morreu em 1963) símbolo, melhor: guru do movimento hippie e da contracultura californiana de 1970's.

Do legado do escritor inglês eu me proponho a falar mais aqui ou no meu blog mesmo, enquanto isso, fico por aqui. Abraços!


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10 Comentários:

Lílian** disse...

não sabia que existia algum escritor falando de efeitos alucinógenos....é interessante ler, assim agente descobre como essa gente doida sente uhauahuah, meu nerd favorito escreve bem até! xD bricadeira! =*

mauricio disse...

nossa vei q cult.....

mas eu prefiro as viagens do bob esponja( serio aquele desenho sim eh pra adultos)

Lado B disse...

Eu não creio muito nesse lance de que as drogas aumentam a percepção e talz...

Sou mais do tipo que acha que elas matam a revolução. hahaha!

Enfim, o que interessante aí é que Huxley antecipa uma das questões mais em voga no movimento hippie e pela contracultura e psicodelia. Foi um visionário. Fato!

Curti o post. Muito bem feito. Quando você tinha me falado sobre física ontem fiquei com medo. hauahauahua!

Abraços
.

http://solucomental.blogspot.com

thiago disse...

parabenss aeee
muito bom o post

Finotti disse...

Taí, que antes de experimentarem as "portas da percepção", possam os incautos pelo menos saber um pouco mais sobre as consequências, mas sem pre-julgamentos e do ponto de vista de um escritor/filósofo curioso que resolveu ver qual era a da mescalina.

Excelente post!

Meu garoto! ;)

Francisco disse...

Síntese perfeita sobre Huxley!
Vou aguardar o post detalhado.
Perfeita também a observação sobre o nome "The Doors".
Gente que sabe, é outra coisa! Hehehe
Abraços

Lis disse...

Amei,amei seu post!! Não conhecia este Huxley e muito menos o teor dos livros escritos por ele ( não me considere alienada plz hahaha)Muito doido msm!! Não acredito que as drogas abram a mente para novas perspectivas.Acredito que elas tragam uma maquiagem para a realidade e no final uma fuga para muitos.Fiquei curiosa: como ele morreu? Overdose? Suicidio? ou velhinho em uma caminha quentinha rsrsrsrs Bjussssssssssssss
P.S: Vou voltar! Gostei do blog!!

Natália disse...

nossa vei q cult.....[2]
mto massa, gostei deste assunto.
ou parabens, vc escreve mt bem
xD

Bill Falcão disse...

Tema muito bem lembrado, Érick! Apenas me permita uma pequena correção: a contracultura é filha da década de 1960, e não 1970, mas muita gente confunde mesmo. Recomendo, até para futuro post seu, "Anos 60", de Luiz Carlos Maciel. Veja no Google. Vale muito!
Aquele abraço!

Érick Delemon disse...

Bill. De fato, o caso da contracultura é realmente 1960 =D, coloquei 70 pelas próprias informações no livro (comentadores acerca do texto) que colocam a influência mais pontual dele nos anos 70, na califórina e como continuação do movimento mesmo que seu nascimento tenha se dado na década anterior =D.

Lis. Huxley merece posts e mais posts. A família dele quase toda tem algum reconhecimento em alguma coisa (digo isso pq tem a árvore genealógica na en_wikipedia com muitos artigos pra seus parentes). Sou da mesma opinião para com as drogas... justamente o que torna eses livro tão atraente, por dizer algo que foge da nossa opinião sem ser pseudo-intelectual!
E até onde sei, ele morreu no mesmo dia que C. S. Lewis (do Nárnia) e o JFK (dia estranho esse). Tomou duas doses de LSD nesse mesmo dia... acho que tinha virado hábito.. mas parece que realmente morreu da deterioração da saúde pelo câncer com o qual foi diagnosticado aos 60, morrendo aos 69!

P.S.: Perdão pelo comentário longo e obrigado a todos pela recepção positiva, é realmente um bom incentivo

:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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